Eleições Master levam aprendizado sobre cidadania para a prática

Nesta quinta e sexta-feira, 1 e 2 de outubro, os alunos do Master também foram às urnas, há poucos dias das eleições gerais brasileiras, que mobilizam eleitores de todo o país para a escolha de representantes para os cargos de presidente, governador, senador e deputados estadual e federal, a escola realizou mais uma edição das tradicionais Eleições Master.

A iniciativa, que já faz parte do calendário da escola, envolve estudantes da Educação Infantil II ao 5º ano do Ensino Fundamental Anos Iniciais e tem como objetivo apresentar às crianças, de maneira adequada a cada faixa etária, a importância do voto e do exercício da cidadania.

Muito antes de chegar à urna, porém, os alunos passam por diferentes etapas. Há campanhas, apresentação de propostas, produção de materiais, convenções partidárias e votação. Tudo pensado para transformar conceitos que muitas vezes parecem distantes da realidade infantil em uma experiência concreta.

De acordo com Ana Patrícia Coutinho Martorelli, professora do Laboratório de Informática do Master, a iniciativa surgiu da própria curiosidade dos alunos diante das campanhas eleitorais que eles observam no cotidiano.

“Esse projeto começou vindo da própria curiosidade das crianças, porque eles passeiam pelas ruas e veem fotos e propagandas de candidatos. A gente achou por bem trabalhar o pedagógico, ensinar para eles o que é cidadania, como se exerce a cidadania e como funciona uma urna eletrônica, porque os pais deles votam também e eles ficam bastante curiosos.”

A partir dessa curiosidade, a escola desenvolveu uma proposta que utiliza o universo da imaginação e da ludicidade para apresentar às crianças as diferentes etapas de uma eleição.

“A gente faz uma grande brincadeira, mas não pode ser com candidatos como é no mundo real. Então, a gente inventa uma forma lúdica para ser mais divertido para eles. Cada ano é um projeto diferente.”

Para os alunos da Educação Infantil II, Educação Infantil III e 1º ano, a experiência é construída de maneira especialmente lúdica. Os estudantes participam de uma eleição para escolher o presidente do Colégio Master, com personagens fictícios que representam diferentes valores humanos.

Ao todo, são oito valores trabalhados durante o projeto, entre eles tolerância, empatia, justiça e honestidade. Antes de votar, as crianças conhecem o significado de cada um deles e acompanham a construção das campanhas. Os pequenos também participam ativamente da mobilização: produzem bottons, jingles, cartazes e santinhos e apresentam seus candidatos à comunidade escolar e aos familiares. A proposta permite que conceitos como escolha, representação e participação sejam trabalhados a partir de situações que fazem sentido para a faixa etária.

A partir do 2º ano, o projeto assume uma estrutura diferente e passa a apresentar aos estudantes outras etapas de um processo eleitoral. Neste ano, a escola utilizou também a inteligência artificial para criar os personagens que representariam os candidatos. Os próprios alunos ajudaram a definir as características que gostariam de encontrar nesses personagens, como cor da pele, tipo e tamanho do cabelo, entre outras. A diversidade esteve presente nas representações criadas para as turmas, com personagens que incluíam, por exemplo, pessoas negras, cadeirantes, autistas e pessoas com obesidade.

Como eram muitos candidatos, já que o projeto envolveu 14 turmas, a escola realizou uma etapa de Convenções Partidárias. Foram quatro convenções: dos 2º anos, 3º anos, 4º anos e 5º anos. Em cada uma delas, os candidatos apresentaram suas propostas e, ao final, os estudantes participaram de uma votação manual para escolher quais representantes seguiriam para a disputa com as demais séries.

Para Saulo Lamarine, defensor público e pai de Júlia Almeida Lamarine, aluna do 1º ano, participar da votação ao lado dos filhos também é uma forma de demonstrar, pelo exemplo, a importância do exercício da cidadania. “Essa votação simulada tem uma grande importância porque traduz a importância do nosso sistema democrático para as crianças desde cedo, conscientizando-as da importância de fazer uma boa escolha dos seus representantes.”

De acordo com Diego Barreto, professor de Geografia do Master, trabalhar a democracia desde os primeiros anos é uma oportunidade de apresentar às crianças valores fundamentais para a convivência em sociedade. “Eu acho fenomenal, uma iniciativa sensacional da escola trazer a democracia desde cedo. A gente vive em um mundo de muito autoritarismo, muitas ditaduras que causam tantos refugiados no mundo inteiro, e a gente tem um país democrático. É importante mostrar desde cedo para a criança que o poder emana do povo e que, a partir disso, eles podem eleger os seus representantes.”

Depois das campanhas, apresentações, convenções e mobilização entre os alunos, chegou o momento de colocar em prática tudo o que havia sido aprendido. A experiência proporcionou aos estudantes a oportunidade de compreender que uma eleição envolve participação, escolhas, propostas, representação e respeito à decisão coletiva.

Na Educação Infantil, o candidato vencedor foi o Defensor da Justiça, com 69 votos, já no Ensino Fundamental, quem levou a melhor foi Raoni, com 268 votos.